Um pândego

O Prof. Dr. Reis Novais – constitucionalmente o maior constitucionalista auto-constituido da Constituição da República Portuguesa (é vê-lo e ouvi-lo, por Deus) e uma das mais independentes e imparciais cabeças da nação (leia-se: é de esquerda e odeia o actual Presidente da República) – o Prof. Dr. Reis Novais, dizia, é um homem de grande coragem.

Ontem, aos microfones da Antena 1, o Prof. Dr. Reis Novais insistia no seguinte ponto: a indigitação do Dr. Passos Coelho e a tomada de posse do XX Governo Constitucional foram uma perda de tempo (só possível, insinuou o Prof. Dr. Reis Novais, pela constitucional inconsciência do actual figurante de Belém, que estupidamente teimou em não despachar a coisa.) Defendeu ainda o Prof. Dr. Reis Novais, que o Presidente da República não deve nem pode imiscuir-se nas decisões do parlamento. Ou seja, que o parlamento dita, escolhe, põe e dispõe quem governa e como.

Só um intrépido arriscaria dizer, com o ar mais sério do mundo, uma coisa que contradiz a outra. E só um destemido poderia insinuar que, nos dias 20 e 21 de Outubro, o Presidente da República estaria na posse das «garantias» conducentes à prossecução da vontade do Prof. Dr. Reis Novais, depois de conhecidos, agora, os termos das três «combinações» bilaterais assinadas sobre uma mesa. Se a solidez, densidade e textura das «combinações» são o que são hoje (há farófias mais consistentes), imaginemos como seriam há vinte dias.

Viva o Prof. Dr. Reis Novais!

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