Paris, 13 de Novembro de 2015

Estar há mais de vinte minutos a tentar escrever uma linha que seja sobre os acontecimentos de Paris, demonstra bem o quão ridículo é escrever sobre a barbárie. É dificílimo, para não dizer impossível, fazer elevar uma frase que seja um milimetro acima da linha de água das trivialidades pungentes, clichés eloquentes ou leituras entendidíssimas que por aí pululam. Não há articulista, blogger ou mosquito que não tenha já tentado a «correcta» dissertação, o «novo ângulo», a «verdadeira lição», a «denuncia do ilusório», o «despiste das aparências» – demonstrando, simultaneamente, o quanto sofre e mantém fria a cabeça.

O que acabei de escrever não deixa de ser arrogante. E parvo. E injusto. Para além de parecer prefaciar a «grande» ou a «verdadeira» elucubração sobre o que aconteceu: origens, causas, enquadramento presente, enquadramento futuro, do terrorismo. Nada de mais errado.

Só venho aqui pedir para que, pelo menos desta vez, nos deixemos de merdas. Isso mesmo: merdas. Não quero, não suporto, acho medonho e triste assistir ao enésimo númerozinho da praxe de alguns ungidos que aproveitam politicamente o momento para marcar mais um pontinhos mediáticos, enquanto nos tentam ensinar a não «odiar».

Qual será, ao certo, o melhor momento para «odiar»? Se não puder «odiar», agora, gente desta laia, que professa, difunde e treina o fanatismo, quando o poderei fazer? Se não puder «odiar» os animais que perpetraram os atentados terroristas, quando, ao certo, o poderei fazer?

Aguardo explicações, pedindo, desde já, desculpas pelo meu primarismo.

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One thought on “Paris, 13 de Novembro de 2015

  1. Eu ,quando vejo que não se menciona a condenação formal dos terroristas assassinos parto julgo que tal é devido a evidencia tão flagrante que dispensa actos de fé publicos.
    E sabemos todos a quantidade de pulhas que se juntam nas palhaçadas de somos todos charlie; basta olhar para as declarações do holandinho , de guerra após o acto terrorista de 13 NOV .
    e comfrontar com as intervenções da França, há varios anos, em territorios no estranjeiro (Siria, Libia…)

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